Uma catástrofe digital se aproxima. E nem as empresas e as pessoas se ligaram
- Posted By Vallorem Assessoria Empresarial
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No dia 14 de janeiro, soou o alerta nos corredores da empresa de segurança digital PSafe, com operações no Brasil e nos Estados Unidos. O sistema de monitoramento da companhia na dark web apontava para o vazamento de 40 milhões de CNPJs brasileiros. Naquele momento, imediatamente, uma equipe foi destacada para investigar e a descoberta foi ainda pior.
Um hacker tinha em mãos – e estava vendendo – os dados de 223 milhões de CPFs, até de pessoas que já morreram. Informações como Imposto de renda, salário, nível de escolaridade, título de eleitor, último emprego, telefone, email, endereço. Tudo estava ali. Uma catástrofe, nas palavras de Marco DeMello, fundador e CEO da PSafe.
O cibercriminoso dizia ter extraído as informações do sistema da Serasa Experian, onde teria se infiltrado, permanecido por 18 meses e subtraído dados que vão de 2008 a 2019. São milhões de informações sensíveis que afetam a vida de pessoas e empresas. DeMello diz que essa é a alegação do criminoso e não consegue confirmar se a fonte é a Serasa.
Em nota enviada ao NeoFeed, a Serasa disse o seguinte: “Assumimos o compromisso de proteger a privacidade dos dados dos consumidores que tratamos de forma extremamente séria. Nossa investigação até o momento mostrou discrepâncias significativas entre as alegações feitas e os dados que mantemos em nossos arquivos. Iniciamos mais uma análise de arquivos adicionais que foram disponibilizados.”
O fato é que até agora pessoas, empresas e governos ainda não se atentaram para a magnitude do ocorrido. “Não se deram conta do problema. A ficha ainda não caiu. Ainda não senti o pânico devido”, diz DeMello, que trabalha com segurança digital há 25 anos e foi o responsável pelo Hotmail da Microsoft.
O empresário ainda alerta. “Temos duas pandemias hoje. Há uma pandemia biológica de covid-19 e uma pandemia digital de ataques de inteligência artificial. A pandemia digital, especificamente falando, não tem sido levada a sério no Brasil.” E ele aponta para o empresariado brasileiro.
“O mundo mudou e o empresário brasileiro continua achando que tem antivírus e está bem. Eu digo para ele: ‘Não, não está bem, meu querido. Está com o seu bumbum de fora, 100%’. É uma questão de “quando” e não “se” vai sofrer um ataque.” E diz mais. “Em segurança da informação, o empresário brasileiro, de modo geral, é inconsequente.”
O Brasil, afirma DeMello, é o segundo pior País do mundo em tempo de detecção de uma invasão. “A gente só perde para a Turquia. No Brasil, em média, um vazamento é detectado pelas empresas depois de 46 dias. Nos países que adotam as melhores práticas, por exemplo, demora entre 24h e 48h”, diz DeMello. Na entrevista que segue ele detalha os perigos envolvidos. Acompanhe:



